MARIA LYNCH
Rio de Janeiro
1981
(Cód.: 121)
Feliz Feliz, 2013
Óleo e acrílica s/ tela
canto inferior esquerdo, centro
190 x (L) cm
160 (A) x

Origens e formação

Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, em 1981, cidade que permanece como uma referência central em sua trajetória. Ao longo de sua formação e carreira, desenvolveu uma circulação internacional entre Rio de Janeiro, Nova York e Londres.

Estudou no Chelsea College of Art & Design, em Londres, onde concluiu a pós-graduação em Fine Art (2007) e o mestrado em Fine Art (2008). Esse período foi decisivo para ampliar seu contato com debates internacionais da arte contemporânea e consolidar uma prática artística que transita entre diferentes linguagens.


Pintura, cor e transformação

Parte importante da leitura da pintura de Maria Lynch pode ser compreendida a partir do pensamento do filósofo Gilles Deleuze, especialmente nas ideias de rizoma e devir, que descrevem sistemas abertos e em constante transformação.

Em sua obra, essas ideias aparecem na forma como as imagens parecem surgir, dissolver-se ou se transformar dentro do próprio campo cromático, como se a figura estivesse sempre em processo de mudança.

A própria artista descreve sua pintura como a construção de um universo simbólico em que sensações e experiências se tornam imagem:

“São afetos em forma de pintura.”

Para Lynch, a pintura não se limita à representação, mas funciona como um campo sensorial capaz de provocar deslocamentos perceptivos no espectador.


A cor como protagonista

A crítica Marisa Flórido Cesar, em seu texto A Carne da Cor, observa que a pintura de Maria Lynch tensiona uma antiga hierarquia da história da arte que tradicionalmente associava desenho ao masculino, ligado à razão e à estrutura, e cor ao feminino, relacionada ao sensorial e ao corpo.

Em sua leitura, Lynch desloca esse equilíbrio ao fazer da cor a força central da imagem.

Para a autora, a artista “pinta a carne da cor”, transformando a cor em matéria viva da pintura. Em muitas obras, a presença feminina aparece como figura recorrente enquanto o masculino permanece ausente, reforçando um universo simbólico em que a cor, associada ao corpo e ao sensível, assume protagonismo sobre o desenho.


As figuras esvaziadas

O crítico Mario Gioia identifica nas figuras femininas frequentemente esvaziadas um elemento central da pintura da artista.

Muitas vezes representadas em branco ou reduzidas a poucos traços, essas personagens assumem algo de presenças teatrais, como figuras em cena dentro de ambientes cromáticos vibrantes. Por não apresentarem identidade definida, funcionam quase como projeções ou arquétipos, mais próximas de personagens simbólicos do que de retratos individuais.

Esse esvaziamento cria uma tensão visual importante: enquanto o entorno da pintura é intenso e exuberante, a figura permanece silenciosa e quase fantasmática. O resultado é um contraste entre exuberância e introspecção, no qual essas presenças parecem suspensas entre aparecer e desaparecer dentro do espaço pictórico.


Pintura expandida

A crítica e curadora Luisa Duarte observa que a obra da artista cria experiências imersivas nas quais pintura, espaço e corpo do espectador passam a dialogar diretamente.

Essa dimensão aparece também em suas instalações e performances. Em obras como Ocupação Macia, Maria Lynch constrói ambientes formados por brinquedos, tecidos e objetos acumulados, criando paisagens sensoriais que dialogam com o universo lúdico e psicológico presente em suas pinturas.

Já em Incorporáveis, o corpo aparece como extensão da imagem, ampliando a relação entre figura, identidade e performance.


Exposições e trajetória

Ao longo de sua trajetória, Maria Lynch participou de exposições como Jerwood Drawing Prize, Nova Arte Nova, Incorporáveis, Ocupação Macia, Acontecimento Encarnado, Roda Viva, A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria, Spaces and Spectacles, Máquina Devir e Talismã.

Seus trabalhos foram apresentados em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Oi Futuro, Barbican Centre em Londres e Storefront for Art and Architecture / Ideas City Festival em Nova York.


Reconhecimento e coleções

Maria Lynch recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça / Funarte, participou da 6ª Bienal de Curitiba – VentoSul e foi indicada em diferentes edições ao Prêmio PIPA, um dos principais prêmios da arte contemporânea brasileira.

Suas obras integram importantes coleções institucionais, entre elas o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Palácio do Itamaraty, a Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio e o Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.


Coleções, exposições e prêmios

A trajetória de Maria Lynch inclui participações em exposições e projetos relevantes no circuito da arte contemporânea, entre eles Jerwood Drawing Prize, Nova Arte Nova, Incorporáveis, Ocupação Macia, Acontecimento Encarnado, Roda Viva, A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria, Spaces and Spectacles, Máquina Devir e Talismã. Seus trabalhos foram apresentados em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Oi Futuro, o Barbican Centre em Londres e a Storefront for Art and Architecture / Ideas City Festival em Nova York.

Ao longo de sua carreira, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça / Funarte, participou da 6ª Bienal de Curitiba – VentoSul e foi indicada em diferentes edições ao Prêmio PIPA, um dos principais prêmios da arte contemporânea brasileira.

Suas obras integram importantes coleções institucionais, entre elas o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Palácio do Itamaraty, a Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio, o Centro Cultural Candido Mendes e o Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.


Fontes de pesquisa

  • CV e materiais biográficos da artista Maria Lynch.
  • Site oficial da artista.
  • Flórido Cesar, Marisa. A Carne da Cor.
  • Gioia, Mario. Texto crítico para a exposição Roda Viva.
  • Duarte, Luisa. Entrevista com Maria Lynch para a exposição A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria.
  • Pottier, Marc. Texto curatorial para a exposição Talismã.
  • Catálogos e materiais de exposições da artista.

Temas

  • Feminino
  • Corpo e identidade
  • Cor e sensorialidade
  • Figura e abstração
  • Imaginário e ficção
  • Transformação e metamorfose
  • Experiência sensorial

Linguagens

  • Pintura
  • Instalação
  • Performance
  • Escultura
  • Arte Multimídia

 

Temas

  • Feminino
  • Corpo e identidade
  • Cor e sensorialidade
  • Figura e abstração
  • Imaginário e ficção
  • Transformação e metamorfose
  • Experiência sensorial

Linguagens

  • Pintura
  • Instalação
  • Performance
  • Escultura
  • Arte Multimídia

 

Explorando a Obra:
Uma das fases mais marcantes da artista aparece na série apresentada na exposição Roda Viva, quando surgem figuras femininas esvaziadas ou parcialmente apagadas, frequentemente representadas em branco e cercadas por campos cromáticos intensos. A própria artista descreve essas figuras como: “mulheres ausentes, ou projeções de mulheres idealizadas, em meio ou em contradição com um mundo onírico e lúdico.” Nessa série, ocorre uma inversão importante na lógica de sua pintura. Se em trabalhos anteriores o fundo frequentemente permanecia claro ou neutro, aproximando a pintura do desenho, aqui o entorno ganha densidade cromática enquanto a figura se esvazia. O mundo ao redor torna-se vibrante e material, enquanto o corpo aparece como ausência, vestígio ou fantasma. O crítico Mario Gioia observa que essas figuras brancas podem ser vistas como personagens contemporâneas de uma espécie de festa melancólica. Cercadas por cores intensas e sedutoras, elas parecem habitar ambientes fragmentados e instáveis, onde convivem euforia e angústia, sedução e vazio.