Ernesto de Fiori (Roma, Itália, 1884 – São Paulo, SP, 1945) foi um aclamado escultor, pintor, desenhista e jornalista ítalo-alemão radicado no Brasil, reconhecido internacionalmente como uma das figuras mais expressivas do Expressionismo e do Modernismo europeu e brasileiro. Com sólida reputação construída em Berlim, Paris e Zurique durante as primeiras décadas do século XX, Fiori emigrou para o Brasil em 1936 fugindo da ascensão do regime nazista na Alemanha. No ambiente cultural paulistano, exerceu forte e imediata influência sobre os artistas do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista, renovando a cena plástica local ao introduzir uma pintura gestual, dramática e vibrante, ao lado de suas célebres esculturas de formas síntese e superfícies táteis. Com obras presentes nos maiores museus do mundo — como o Centre Pompidou, o MoMA, a Pinacoteca de São Paulo e o MASP —, sua trajetória é um marco de convergência entre as vanguardas europeias e o modernismo brasileiro.
Ernesto de Fiori nasceu em Roma em 12 de dezembro de 1884, filho de pai italiano e mãe alemã. Em 1903, mudou-se para Munique, na Alemanha, para iniciar sua formação artística na Akademie der Bildenden Künste (Academia de Belas Artes de Munique), onde foi aluno do pintor simbolista Franz von Stuck. Entre 1905 e 1911, viveu em Roma e Paris, onde tomou contato com a escultura de Auguste Rodin e Aristide Maillol, momentos decisivos para que redirecionasse seu foco principal de criação da pintura para a escultura em bronze e gesso.
Entre 1914 e 1935, Fiori viveu um período de intensa consagração na Europa, estabelecendo-se principalmente em Berlim e Zurique. Tornou-se um dos escultores mais prestigiados da República de Weimar, integrando a vanguarda expressionista e colaborando ativamente como crítico e colunista para importantes jornais e revistas europeias. Contudo, com a ascensão do Nazismo ao poder em 1933, sua arte passou a ser perseguida e rotulada como "Arte Degenerada" (Entartete Kunst).
Em 1936, aos 52 anos, Fiori decidiu emigrar para o Brasil, fixando residência em São Paulo. O impacto de sua chegada no meio artístico paulistano foi profundo: ao retomar a pintura a óleo com renovado vigor — capturando a paisagem urbana de São Paulo, a represa de Santo Amaro e retratos —, Fiori influenciou diretamente uma geração de jovens artistas, como Alfredo Volpi, Mario Zanini e Francisco Rebolo. Trabalhou no Brasil até seu falecimento prematuro, na capital paulista, em 24 de abril de 1945.
A produção de Ernesto de Fiori distingue-se pelo dinamismo formal, pela vibração da matéria e pelo humanismo trágico e lírico.
Temas Recorrentes
Técnicas e Materiais
As obras de Ernesto de Fiori integram alguns dos maiores acervos museológicos do mundo: