Maria Lynch

1981

Maria Lynch é uma artista visual carioca cuja obra transita entre figuração e abstração, explorando a cor como matéria viva da imagem. Atuando também com instalação, escultura, performance e vídeo, cria ambientes sensoriais marcados pela intensidade cromática e pela construção de universos simbólicos. Ao longo de sua trajetória, participou de exposições e prêmios como Jerwood Drawing Prize, Nova Arte Nova e Ideas City Festival. Seus trabalhos foram apresentados em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil e o Barbican Centre.

MARIA LYNCH

Origens e formação

Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, em 1981, cidade que permanece como uma referência central em sua trajetória. Ao longo de sua formação e carreira, desenvolveu uma circulação internacional entre Rio de Janeiro, Nova York e Londres.

Estudou no Chelsea College of Art & Design, em Londres, onde concluiu a pós-graduação em Fine Art (2007) e o mestrado em Fine Art (2008). Esse período foi decisivo para ampliar seu contato com debates internacionais da arte contemporânea e consolidar uma prática artística que transita entre diferentes linguagens.


Pintura, cor e transformação

Parte importante da leitura da pintura de Maria Lynch pode ser compreendida a partir do pensamento do filósofo Gilles Deleuze, especialmente nas ideias de rizoma e devir, que descrevem sistemas abertos e em constante transformação.

Em sua obra, essas ideias aparecem na forma como as imagens parecem surgir, dissolver-se ou se transformar dentro do próprio campo cromático, como se a figura estivesse sempre em processo de mudança.

A própria artista descreve sua pintura como a construção de um universo simbólico em que sensações e experiências se tornam imagem:

“São afetos em forma de pintura.”

Para Lynch, a pintura não se limita à representação, mas funciona como um campo sensorial capaz de provocar deslocamentos perceptivos no espectador.


A cor como protagonista

A crítica Marisa Flórido Cesar, em seu texto A Carne da Cor, observa que a pintura de Maria Lynch tensiona uma antiga hierarquia da história da arte que tradicionalmente associava desenho ao masculino, ligado à razão e à estrutura, e cor ao feminino, relacionada ao sensorial e ao corpo.

Em sua leitura, Lynch desloca esse equilíbrio ao fazer da cor a força central da imagem.

Para a autora, a artista “pinta a carne da cor”, transformando a cor em matéria viva da pintura. Em muitas obras, a presença feminina aparece como figura recorrente enquanto o masculino permanece ausente, reforçando um universo simbólico em que a cor, associada ao corpo e ao sensível, assume protagonismo sobre o desenho.


As figuras esvaziadas

O crítico Mario Gioia identifica nas figuras femininas frequentemente esvaziadas um elemento central da pintura da artista.

Muitas vezes representadas em branco ou reduzidas a poucos traços, essas personagens assumem algo de presenças teatrais, como figuras em cena dentro de ambientes cromáticos vibrantes. Por não apresentarem identidade definida, funcionam quase como projeções ou arquétipos, mais próximas de personagens simbólicos do que de retratos individuais.

Esse esvaziamento cria uma tensão visual importante: enquanto o entorno da pintura é intenso e exuberante, a figura permanece silenciosa e quase fantasmática. O resultado é um contraste entre exuberância e introspecção, no qual essas presenças parecem suspensas entre aparecer e desaparecer dentro do espaço pictórico.


Pintura expandida

A crítica e curadora Luisa Duarte observa que a obra da artista cria experiências imersivas nas quais pintura, espaço e corpo do espectador passam a dialogar diretamente.

Essa dimensão aparece também em suas instalações e performances. Em obras como Ocupação Macia, Maria Lynch constrói ambientes formados por brinquedos, tecidos e objetos acumulados, criando paisagens sensoriais que dialogam com o universo lúdico e psicológico presente em suas pinturas.

Já em Incorporáveis, o corpo aparece como extensão da imagem, ampliando a relação entre figura, identidade e performance.


Exposições e trajetória

Ao longo de sua trajetória, Maria Lynch participou de exposições como Jerwood Drawing Prize, Nova Arte Nova, Incorporáveis, Ocupação Macia, Acontecimento Encarnado, Roda Viva, A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria, Spaces and Spectacles, Máquina Devir e Talismã.

Seus trabalhos foram apresentados em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Oi Futuro, Barbican Centre em Londres e Storefront for Art and Architecture / Ideas City Festival em Nova York.


Reconhecimento e coleções

Maria Lynch recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça / Funarte, participou da 6ª Bienal de Curitiba – VentoSul e foi indicada em diferentes edições ao Prêmio PIPA, um dos principais prêmios da arte contemporânea brasileira.

Suas obras integram importantes coleções institucionais, entre elas o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Palácio do Itamaraty, a Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio e o Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.


Coleções, exposições e prêmios

A trajetória de Maria Lynch inclui participações em exposições e projetos relevantes no circuito da arte contemporânea, entre eles Jerwood Drawing Prize, Nova Arte Nova, Incorporáveis, Ocupação Macia, Acontecimento Encarnado, Roda Viva, A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria, Spaces and Spectacles, Máquina Devir e Talismã. Seus trabalhos foram apresentados em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Oi Futuro, o Barbican Centre em Londres e a Storefront for Art and Architecture / Ideas City Festival em Nova York.

Ao longo de sua carreira, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça / Funarte, participou da 6ª Bienal de Curitiba – VentoSul e foi indicada em diferentes edições ao Prêmio PIPA, um dos principais prêmios da arte contemporânea brasileira.

Suas obras integram importantes coleções institucionais, entre elas o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Palácio do Itamaraty, a Coleção Gilberto Chateaubriand / MAM Rio, o Centro Cultural Candido Mendes e o Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.


Fontes de pesquisa

  • CV e materiais biográficos da artista Maria Lynch.
  • Site oficial da artista.
  • Flórido Cesar, Marisa. A Carne da Cor.
  • Gioia, Mario. Texto crítico para a exposição Roda Viva.
  • Duarte, Luisa. Entrevista com Maria Lynch para a exposição A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria.
  • Pottier, Marc. Texto curatorial para a exposição Talismã.
  • Catálogos e materiais de exposições da artista.

Temas

  • Feminino
  • Corpo e identidade
  • Cor e sensorialidade
  • Figura e abstração
  • Imaginário e ficção
  • Transformação e metamorfose
  • Experiência sensorial

Linguagens

  • Pintura
  • Instalação
  • Performance
  • Escultura
  • Arte Multimídia

 

Maria Lynch

Maria Lynch (Rio de Janeiro, 1981) vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.

Formação

  • 2008 – Mestrado em Fine Art, Chelsea College of Art & Design, Londres, Reino Unido.
  • 2007 – Pós-graduação em Fine Art, Chelsea College of Art & Design, Londres, Reino Unido.

Exposições Individuais (seleção)

  • 2019Talismã, curadoria de Marc Pottier, Baró Gallery, São Paulo.
  • 2017Máquina Devir, Oi Futuro, Rio de Janeiro.
  • 2016Spaces and Spectacles, Wilding Cran Gallery, Los Angeles, EUA.
  • 2016Ficções Sensoriais, Blau Projects, São Paulo.
  • 2015Aforismas, Rizomas e Selvageria, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro.
  • 2015Ocupação Macia, Storefront for Art and Architecture – Ideas City Festival, New Museum, Nova York.
  • 2014Time is Never Past Nor Present, curadoria de Sarah Crown, Spazio522, Nova York.
  • 2014Becomings – Bathroom Project, Rooster Gallery, Nova York.
  • 2013Acontecimento Encarnado, curadoria de Ligia Canongia, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro.
  • 2013Ocupação Macia, Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte.
  • 2012Órgão sem Corpo, Galeria Marília Razuk, São Paulo.
  • 2012Ocupação Macia, Paço Imperial, Rio de Janeiro.
  • 2012Incorporáveis (performance), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
  • 2010W4, Galeria HAP, Rio de Janeiro.
  • 2009Devirneando, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro.
  • 2006Retalhos, Galeria Candido Mendes, Rio de Janeiro.
  • 2005Imanência, Galeria Tarsila do Amaral, Rio de Janeiro.

Exposições Coletivas (seleção)

Entre as principais mostras coletivas de que participou destacam-se:

  • 2018Monumental 2018 – A arte delas, curadoria de Marc Pottier, Rio de Janeiro.
  • 2018Mulheres na Coleção MAR, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro.
  • 2014Immediate Female, Judith Charles Gallery, Nova York.
  • 2014Cake, Dolls, Gift Bags and Other Things, Radiator Gallery, Nova York.
  • 2014The Playground of the Fantastical, Galerie Protégé, Nova York.
  • 2013Bordalianos do Brasil, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
  • 2013Aproximações Contemporâneas, Roberto Alban Galeria, Salvador.
  • 2013Videoarte, Oi Futuro, Rio de Janeiro.
  • 2011Bienal Vento Sul, Curitiba.
  • 2011Incorporáveis, SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo.
  • 2009Nova Arte Nova, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.
  • 2008Jerwood Drawing Prize, Jerwood Space, Londres.

Prêmios, Residências e Bolsas

  • 2018 – Baile do Sarongue, Rio de Janeiro.
  • 2016 – Programa de residência ESXLA, Los Angeles.
  • 2015 – Bolsa para exposição individual no Storefront for Art and Architecture, concedida pela Embaixada do Brasil em Nova York.
  • 2013 – Residência Residency Unlimited, Nova York.
  • 2013 – Selecionada para comissão de arte pública da Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro.
  • 2012 – Artista convidada do programa Creative Cities (Olimpíadas de Londres 2012), Barbican Centre, Londres.
  • 2012 – Residência Bordalo Pinheiro, Lisboa.
  • 2010 – Prêmio Marcantonio Vilaça, FUNARTE.

Coleções Públicas

Suas obras integram importantes coleções institucionais, entre elas:

  • Museu de Arte do Rio – MAR
  • Ministério das Relações Exteriores – Palácio do Itamaraty, Brasília
  • Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM Rio
  • Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC Niterói
  • Centro Cultural Candido Mendes
  • Committee for Olympic Fine Arts – Londres 2012
  • BGA Collection (Investment Fund), Brasil

 

Obras de Maria Lynch

Cód. 1373

- De Baixo, 2011

Óleo e acrílica s/ tela
200 (A) x
200 (L) cm

Cód. 121

- Feliz Feliz, 2013

Óleo e acrílica s/ tela
190 (A) x
160 (L) cm

Cód. 1372

- Deriva, 2012

Óleo e acrílica sobre tela
170 (A) x
160 (L) cm